Confira os principais pontos do relatório da ONU sobre o clima.

Cientistas de todo o mundo divulgaram nesta sexta-feira (04/05) em Bangcoc, na Tailândia, a terceira parte do relatório de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês), da ONU.

O texto faz diferentes projeções sobre o impacto que as emissões de gases nocivos terão no meio ambiente e estima os custos econômicos das medidas ambientais na economia global.

Confira abaixo alguns dos principais pontos desta parte do relatório.

EMISSÕES

– A emissão de gases nocivos ao meio ambiente aumentou 70% entre 1970 e 2004, chegando a 49 bilhões de toneladas por ano de dióxido de carbono

– Entre 1990 e 2004, o aumento foi de 28%.

– A oferta de energia aumentou 145% entre 1970 e 2004.

– A eficiência energética não acompanhou o aumento da renda mundial e da população do planeta.

– Emissões podem aumentar entre 25% e 90% até 2030, em comparação com os níveis de 2000.

– Entre 66% e 75% deste aumento deve acontecer em países em desenvolvimento. A emissão per capita, no entanto, deve se manter abaixo do nível dos países ricos.

– Em 2004, países industrializados representavam 20% da população global e 46% das emissões.

CUSTOS

– Quanto maiores e mais rápidos forem os cortes nas emissões, maiores serão os custos.

– Mas as medidas podem ser relativamente modestas e as tecnologias existentes podem ser usadas. O custo de se agir agora ainda pode ser menor do que o custo caso não haja ação do homem.

– O IPCC trabalha com diferentes cenários:

Estabilizar as emissões em 445-535 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono limitaria o aquecimento global a 2º/2,8ºC. O impacto disso na economia mundial seria de até 3% do PIB mundial até 2030. No mesmo período, o impacto no crescimento projetado da economia seria de 0,12%.
Estabilizar as emissões em 535-590 ppm limitaria o aquecimento global a 2,8º/3,2ºC, com redução de 0,1% do crescimento do PIB mundial até 2030.
Entre 590-710 ppm, o aquecimento global seria de 3,2º/4ºC, com redução de 0,06% do crescimento do PIB até 2030.

OPÇÕES

– O relatório propõe repassar o “preço do carbono” aos consumidores e produtores, ou seja, que os preços na economia levem em conta o dano ambiental causado pela queima de combustíveis, para estimular a eficiência energética.

– Outras possibilidades são novas leis, impostos e mercados de troca de permissões de emissão de carbono. Acordos voluntários entre governo e indústria são “atraente politicamente”, mas “não têm atingido resultados satisfatórios de redução de emissões”.

– Taxar as emissões de carbono seria eficiente no setor energético. Um preço de US$ 20 a US$ 50 por tonelada de dióxido de carbono transformaria o setor energético, aumentando a participação das fontes renováveis na matriz energética para 35% até 2030 (quase o dobro da fatia registrada em 2005).

– Fontes de energia renováveis como eólica, solar e geotérmica deveriam ser estimuladas, com subsídios, tarifas preferenciais e compra obrigatória.

– Mais eficiência energética, com mudança nos padrões de construção, economia obrigatória de combustíveis, mistura de biocombustíveis e investimento em melhores serviços de transporte público.

– Medidas de seqüestro de carbono “têm potencial para dar uma importante contribuição” na mitigação das emissões até 2030.

– Energia nuclear, que representou 16% da matriz energética mundial em 2005, pode chegar a 18% até 2030, com o aumento do preço do dióxido de carbono de até US$ 50 por tonelada, “mas questões de segurança, proliferação de armas e lixo continuam sendo preocupantes”.

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