Entrevista valiosa

O presidente mundial do Google diz que a web não é mais suficiente para manter o crescimento da empresa. E prepara novos produtos para TV, rádio e celular
google
Quando o americano Eric Schmidt assumiu a presidência do Google, em 2001, o site não passava de um sistema de buscas no meio de tantos outros na internet. Hoje, além de ser considerado a empresa mais inovadora e valiosa do mundo, cotada em US$ 147 bilhões na Bolsa de Nova York, o Google tornou-se um fenômeno cultural. Grande parte desse sucesso se deve a Schmidt, de 51 anos, que foi convidado pelos fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, para profissionalizar o comando. Em sua gestão, o faturamento da empresa passou de US$ 439 milhões para US$ 10,6 bilhões, um aumento de 2.300%. O lucro saltou de US$ 99,6 milhões para US$ 3 bilhões. Mas, à medida que a empresa fica maior, seu ritmo de crescimento diminui. De 2004 para 2005, o Google cresceu 400%. De 2005 para 2006, cresceu 73%. Para Schmidt, isso significa que é preciso inventar algo. Nem que, para isso, o Google tenha de buscar alternativas fora da internet. “Vamos procurar novas oportunidades para crescer, onde quer que elas estejam”, disse Schmidt a ÉPOCA durante uma visita ao escritório brasileiro do Google, em São Paulo.

Entrevista com ERIC SCHMIDT

Nenhuma empresa cresce tanto quanto o Google. Qual é o segredo?

Eric Schmidt – Não tenho uma boa resposta para essa pergunta. Nosso crescimento foi uma surpresa para todos. Acho que nos tornamos um fenômeno por causa de nossa missão, de levar todo tipo de informação para todos. Crescemos junto com o uso da tecnologia. Há cada vez mais pessoas usando internet, banda larga e celulares. Não só nos Estados Unidos, mas em todo lugar. O Brasil, por exemplo, é o país que mais cresce para o Google no mundo. Nossa missão é continuar a crescer e oferecer novos serviços ao público.

O senhor disse que o Google comete erros. Qual foi o maior deles?

Schmidt – Somos criticados por tudo. Mas nosso maior erro foi nos mover de forma vagarosa em algumas áreas em que poderíamos ter ido mais rápido. Não direi quais, obviamente. No resto do tempo, cometemos erros pontuais, comuns a qualquer empresa. Há algumas semanas, por exemplo, cometemos um na China (o Google admitiu que plagiou um programa usado pelo site Sohu.com, seu maior concorrente naquele país). Pedimos desculpas aos usuários.

Muito se fala sobre a criação de um celular do Google. É verdade?

Schmidt – Se você fizer uma busca no Google sobre o GooglePhone, verá que as pessoas estão muito confusas sobre o que nós faremos em relação a esse assunto. A razão para isso é que ainda não temos nada para anunciar. A resposta a sua pergunta é sim, pode ser que sim. E não, pode ser que não. Não falamos sobre produtos que ainda não foram lançados.

Qual será a estratégia do Google para manter o ritmo de inovação com operações tão diversificadas?

Schmidt – O segredo é dar autonomia às áreas de negócio. Um grande exemplo disso é o YouTube. Os fundadores do negócio, Steve Chen e Chad Hurley, continuam tocando a empresa sozinhos. Às vezes concordo com eles, outras vezes não. Eles são funcionários do Google, subordinados a mim. Mas eles entendem mais do YouTube que eu. Ter funcionários com autonomia para investir no que acreditam faz a diferença para os negócios do Google.

Até quando vai durar a lua-de-mel dos internautas com o Google?

Schmidt – Espero que para sempre. Cerca de 380 milhões de pessoas usam o Google todos os meses. Enquanto resolvermos os problemas desses usuários e criarmos novos produtos e serviços interessantes, seremos vistos como inovadores, jovens e valiosos. Meu desafio é manter esse status. Se perdermos a capacidade constante de transformação que nós temos, a lua-de-mel terá chegado ao fim.

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